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Em 10 dias, 1% mais rico esgota “cota” de carbono de 2026

Em 10 dias, 1% mais rico esgota “cota” de carbono de 2026

Em 10 dias, 1% mais rico esgota “cota” de carbono de 2026

Levantamento da Oxfam aponta disparidade nas emissões entre ricos e pobres

O Brasil terminou 2025 e iniciou 2026 batendo recordes por altas temperaturas. Na Austrália, os incêndios florestais se alastram, assim como na Patagônia argentina, que vive sua pior tragédia ambiental das últimas décadas. Enquanto isso, países europeus vivem uma onda de frio extremo. A intensificação de eventos climáticos extremos devido a mudanças climáticas é confirmada por especialistas e diversos estudos. Ainda assim, já nos primeiros dias do ano, uma minúscula parte da população global já exauriu seu orçamento anual de carbono, isto é, a quantidade de CO₂ que pode ser emitida mantendo-se dentro do limite de 1,5°C de aquecimento.

A “cota” de emissões leva em consideração o Acordo de Paris, que estabeleceu limites para manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para limitar esse aumento a 1,5°C. Para permanecer dentro do limite de 1,5°C, o 1% mais rico teria de reduzir suas emissões em 97% até 2030.

O balanço é apontado pela ONG Oxfam, que expõe como os super-ricos são desproporcionalmente responsáveis por impulsionar a crise climática. A mais recente pesquisa da organização sobre clima e desigualdade, usando dados do Instituto Ambiental de Estocolmo, constata que os 1% mais ricos emitem 75,1 toneladas por pessoa por ano, ou 0,206 toneladas por pessoa por dia, o que significa que 10,2 dias de emissões são suficientes para usar o orçamento de 2,1t CO2. Não à toa, o dia 10 de janeiro foi denominado pela Oxfam como “Dia dos Ricos Poluidores”.

Ao restringir ainda mais o cálculo e considerar apenas o 0,1% mais rico, a “cota” de emissões de carbono para 2026 já havia esgotado no dia 3 de janeiro. Outro relatório já havia apontado que uma pessoa entre os 0,1% mais rico produz mais poluição de carbono em um dia do que os 50% mais pobres emitem em um ano. Desta forma, se todos pudessem seguir esse caminho, o orçamento de carbono seria esgotado em menos de 3 semanas. Fato é que, a cada ano, a “Sobrecarga da Terra” (data em que a humanidade consome mais recursos naturais do que o planeta consegue regenerar) chega mais cedo.

“Repetidamente, a pesquisa mostra que os governos têm um caminho muito claro e simples para reduzir drasticamente as emissões de carbono e combater a desigualdade: mirar nos poluidores mais ricos. Ao reprimir a extrema imprudência com o carbono dos super-ricos, os líderes globais têm a oportunidade de recolocar o mundo no caminho das metas climáticas e desbloquear benefícios líquidos para as pessoas e o planeta”, disse Nafkote Dabi, líder de Política Climática da Oxfam.

O impacto na vida comum

Diversos especialistas têm apontado para o fato que os que menos contribuíram para causar a crise climática, incluindo comunidades em países mais pobres e vulneráveis ao clima, povos indígenas, mulheres e meninas, serão os mais impactados pelas consequências, como secas e enchentes intensificadas.

Segundo a Oxfam, estima-se que as emissões do 1% mais rico geradas em apenas um ano causarão 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o final do século. Décadas de consumo excessivo de emissões pelos super-ricos do mundo também estão causando danos econômicos significativos a países de baixa e média-baixa renda, que podem somar US$ 44 trilhões até 2050.

Além das emissões associadas a seus estilos de vida, os super-ricos também investem nas indústrias mais poluentes. A nova pesquisa da organização internacional constata ainda que cada bilionário carrega, em média, uma carteira de investimentos em empresas que produzirão 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano, aprisionando ainda mais o mundo no colapso climático.

Os indivíduos e corporações mais ricos também detêm poder e influência desproporcionais. O número de lobistas de empresas de combustíveis fósseis presentes na recente cúpula da COP no Brasil, por exemplo, foi maior do que o de qualquer delegação, exceto a do país anfitrião, com 1.600 participantes.

“A imensa riqueza e o poder dos indivíduos e corporações também lhes permitiram exercer uma influência injusta sobre a formulação de políticas e diluir as negociações climáticas”, acrescentou Nafkote Dabi.

A Oxfam lista uma série de sugestões para os governos pressionarem os poluidores ricos a pagarem o custo climático que estão gerando ao mundo por meio de:

  • Aumento de impostos sobre a renda e a riqueza dos super-ricos, com apoio e engajamento proativos nas negociações pela Convenção da ONU sobre Cooperação Tributária Internacional;
  • Impostos sobre lucros excessivos de corporações de combustíveis fósseis. Um Imposto sobre Lucros dos Poluidores Ricos aplicado a 585 empresas de petróleo, gás e carvão poderia arrecadar até US$ 400 bilhões em seu primeiro ano, valor equivalente ao custo dos danos climáticos no Sul Global;
  • Proibição ou tributação punitiva de itens de luxo de alta intensidade de carbono, como superiates e jatos particulares;
  • Construção de um sistema econômico igualitário que coloque as pessoas e o planeta em primeiro lugar.

Com informações de Ciclo Vivo.

Sou Wellington, um entusiasta apaixonado pelo mundo da engenharia. Minha dedicação e amor pela engenharia são inegáveis. Passo horas estudando e explorando as mais recentes inovações e tecnologias, sempre buscando entender e compartilhar minhas descobertas.