Pesquisadora aposta no resfriamento passivo vernacular para o clima quente e seco do Egito

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18/02/2022 as 09:55
De olho na Engenharia
Pesquisadora aposta no resfriamento passivo vernacular para o clima quente e seco do Egito

As altas temperaturas do Egito impõem aos moradores buscarem formas de amenizar o calor. Porém, nem todos possuem condições financeiras de adquirir um ar-condicionado e arcar com as contas de energia em consequência de seu uso. Ciente de que as ondas de calor serão cada vez piores, a arquiteta e pesquisadora Marwa Dabaieh viu nos recursos naturais do país uma solução para desenvolver um sistema de refrigeração ecológica.

“Algumas pessoas, como aposentados, desempregados e refugiados, não podem comprar ar condicionado. Isso significa que a mortalidade aumenta quando as ondas de calor se tornam mais comuns”, afirma Marwa Dabaieh.

Marwa é especializada em arquitetura sustentável, tendo atuado, nos últimos 20 anos, no campo de emissões zero e edifícios passivos de terra, design arquitetônico “carbono neutro”, entre outros setores correlatos.

Em sua última pesquisa, a arquiteta apresenta a ideia de aplicar estratégias de resfriamento passivo vernacular para o clima quente e seco do Egito. O sistema de refrigeração natural usa basicamente funis de argila, água e o poder do sol e do vento para funcionar.

O método é voltado para populações de baixa renda em assentamentos.

Funil de argila

Diversos funis de argila foram testados, segundo seus tamanhos, e simulados por sua eficiência em acelerar o fluxo de ar dentro de unidades residenciais e capacidade de aumentar a velocidade do ar se combinados com estratégias de ventilação cruzada.

Experimento de Marwa Dabaieh

A simulação revelou melhora significativa no fluxo de ar e velocidade do ar dentro da sala de teste em comparação com as janelas convencionais. Realizado no Cairo, capital do Egito, um primeiro experimento alcançou uma redução da temperatura interna em dois graus, mas desde então ela já conseguiu uma redução de seis graus.

O objetivo é diminuir a temperatura interna em dez graus. A ideia é que aplicando a técnica na construção haja melhora na temperatura e na umidade interna das casas.

Marwa quer continuar desenvolvendo seu sistema de refrigeração natural. Segundo ela, é caro desenvolver o método. “Sou movido por pura paixão, mas preciso de recursos para levar o projeto piloto adiante. Agora espero que o suporte à inovação possa aumentar”, afirma.

O lado bom é que a argila não é cara. Pensando na aplicação da técnica, a arquiteta adianta que o preço da construção será acessível.

Confira a pesquisa na íntegra, em inglês.

Fonte: Cicli Vivo / Foto: Divulgação