Nova técnica desenvolvida na Espanha promete separar microplásticos da água

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22/03/2022 as 12:24
De olho na Engenharia
Nova técnica desenvolvida na Espanha promete separar microplásticos da água

Especialistas em poluição marinha alertam para o aumento dos plásticos no oceano, que se transformam em minúsculas partículas, tornando-se incapazes de serem captados. Porém, uma nova tecnologia surgida na Espanha promete ser capaz de não apenas separar os microplásticos de ambientes aquáticos, como também identificá-los e quantificá-los.

A inovação foi desenvolvida pela startup Captoplastic, que nasceu na Universidade Autónoma de Madrid em 2020. O método pode ser aplicado em águas para consumo humano, estações de tratamento de água e, claro, na indústria de reciclagem.

“A Captoplastic nasceu da experiência de um grupo de professores que se dedicam à eliminação de contaminantes na água, tanto potável quanto residual. Nos últimos anos desenvolvemos diferentes processos e procedimentos, alguns deles baseados no desenvolvimento de catalisadores, e vimos como estes poderiam ser usados para remover microplásticos da água”, explicou o professor José Antonio Casas. 

Ele é fundador da empresa juntamente com os professores Macarena Muñoz e Zahara Martínez, do Departamento de Engenharia Química da Universidade.

A solução é baseada em uma técnica chamada de aglomeração seletiva. “Adicionamos aglutinante ao volume de água para capturar apenas os plásticos”, explica Raquel Parra, diretora-executiva da Captoplastic. A tecnologia foi patenteada. 

Um grande objetivo do grupo é que o método chegue em estações de tratamento de esgoto e estações de tratamento de água. A equipe estima que isso ocorra até 2023. 

Outro passo, a médio prazo, é testar a técnica em máquinas de lavar roupa, controlando a passagem de fibras têxteis e microplásticos.

Por enquanto, a startup busca uma segunda patente para um sistema de medição e identificação e quantificação de microplásticos na água. O método visa padronizar a análise de microplásticos.

A inovação já foi premiada pelo eAwards Spain 2021 da Fundação Everis e também ganhou o prêmio internacional Global NTT Data Foundation. A startup disputou com propostas de 10 países da Europa e América Latina.

Foto: iStock

O perigo dos microplásticos

Os cientistas definem microplásticos como fragmentos de plástico com menos de 5 mm. Os nanoplásticos são ainda menores, com diâmetros menores que 0,001 mm. Pesquisas realizadas em animais já relacionam a exposição a micro e nanoplásticos à infertilidade, inflamação e câncer. 

Além do perigo para a fauna marinha, que ingerem tais fragmentos, há também riscos para os seres humanos. Já foi constatado que os microplásticos estão presentes em frutas e vegetais, no sal e até no ar de grandes metrópoles. As pessoas inalam essas partículas ou fibras. 

Em 2020, pela primeira vez, cientistas detectaram a presença de microplásticos em órgãos e tecidos humanos.

Os estudos que fazem a relação entre plástico e a saúde humana ainda são recentes. De forma que as possíveis consequências ainda estão sendo investigadas. Enquanto isso, sabe-se o quanto a poluição plástica já é prejudicial para os ecossistemas marinhos e mais do que somente limpar, é importante também agir previamente sobre as causas da poluição plástica.

Uma nova revisão encomendada pelo WWF de mais de 2.590 estudos, publicada na última semana, afirma que áreas marinhas com mais de duas vezes e meia o tamanho da Groenlândia podem exceder os limites ecologicamente perigosos de concentração de microplásticos até o final do século. Confira: Poluição oceânica por plásticos quadruplicará até 2050.

Fonte: Ciclo Vivo / Foto: Sören Funk | Unsplash