Enedina Marques, a primeira engenheira negra do Brasil

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31/07/2021 as 19:01
De olho na Engenharia
Enedina Marques, a primeira engenheira negra do Brasil

Filha de uma lavadeira e de um pai ausente, Enedina Marques nasceu em 1913 em Curitiba (PR). Negra, de origem humilde e com mais cinco irmãos, foi criada na casa da família do major Domingos Nascimento Sobrinho, que pagou seus estudos em colégios particulares para que fizesse companhia à sua filha. Em 1931, Enedina concluiu os estudos e passou a trabalhar como professora em diversos grupos escolares. Chegou até a alugar uma casa, onde dava aulas.

Estudos e universidade

O sonho de ingressar em uma Universidade não parecia impossível para Enedina – mulher, negra e em um Brasil que há pouco tempo havia abolido a escravidão. Em 1938, ela fez curso complementar em pré-Engenharia durante a noite, e em 1940 iniciou sua graduação em Engenharia Civil na Universidade do Paraná.

Em uma turma composta apenas por homens, ela foi alvo de preconceitos por parte de alunos e professores. Mas sua inteligência e determinação fizeram com que superasse estes obstáculos da mesma maneira como vinha superando desde então. Depoimentos recordam que ela passava as noites estudando, copiando assuntos de livros que não podia comprar.

Em 1945, Enedina finalmente recebe o diploma em Engenharia Civil, tornando-se a primeira mulher engenheira do Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil.

Carreira como engenheira civil

Em 1946, a engenheira Enedina passou a atuar como auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas. No ano seguinte, o governador Moisés Lupion a transferiu para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica. Lá, trabalhou no desenvolvimento do Plano Hidrelétrico do Paraná e no aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu, com destaque para o projeto e construção da Usina Capivari-Cachoeira.

Enedina (à esquerda) ao lado de suas colegas professoras

De acordo com uma matéria na Gazeta do Povo, apesar de vaidosa, Enedina usava macacão nas obras da usina e carregava uma arma na cintura, disparando tiros para o alto para se fazer respeitar entre os homens da construção.

Com reconhecimento profissional e carreira sólida no governo, Enedina dedicou-se a conhecer o mundo e outras culturas viajando, entre 1950 e 1960. Em 1962, se aposentou pelo governo do estado, que reconheceu seus feitos como engenheira e lhe garantiu proventos equivalentes ao salário de um juiz.

Enedina não se casou ou teve filhos. Faleceu em 1981, aos 68 anos, e seu legado é referência para a história da engenharia civil brasileira. Seu nome está gravado no Livro do Mérito do Sistema CONFEA/CREA e no Memorial à Mulher Pioneira (Curitiba), ao lado de 53 outras mulheres. Em 2006, foi criado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá.

Enedina ousou e lutou para conquistar seu espaço na profissão que desejava – assim como as mulheres ainda precisam fazer, principalmente em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como a Engenharia e a Construção Civil. Em 2017, apenas 28,1% dos registros no CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) foram feitos por engenheiras – um número ainda pequeno, mas crescente.

Esperamos que a história de Enedina Marques continue inspirando mulheres de todo o Brasil a inovar e fazer a diferença na Engenharia.

Fonte: Construct

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  • Artigo muito bom, gostei muito de saber a história da mulher Enedina, inteligente, guerreira, audaciosa, uma das pioneiras em abrir caminhos para as mulheres.

    • Grande exemplo a ser seguido. Um sonho e a concretização através da disciplina e esforços. O ser humano consegue ser muito além da ideologia que limita pesssoas. Parabéns pelo artigo. É uma honra termos mulheres tão grandiosas comoondondo nossa história.

  • Inimaginável. Q. TRAJETORIA MARAVILHOSA. Quem sabe faz a hra, não espera acontecer. Sensacional.

    • Muito bom esse artigo legal uma legal negra se forma como a primeira mulher negra a ser engenheira ela é 10

  • Maravilhoso!!!uma mulher forte,de fibra… que deixou seu nome marcado, em um mundo de homens machista….

    • O que eu acho interessante… é a preocupação , em dizer que é uma negra. Como se as pessoas negras , não fossem capazes de ingressarem numa faculdade… como uma obra do acaso…
      Todo ser humano é capaz de alcançar status.
      A côr da pele não é tão importante… e sim , a capacidade de se superar os desafios.

      • Meu caro amigo, o texto faz entender como era e continua sendo a sociedade. Quantos negros de renome e ilustres vemos no rol dos grandes acadêmicos e políticos? Quantas oportunidades se dão aos menos favorecidos? Claro, a cor de pele, etnia ou sistema de crenças, isso pouco faz diferença, entretanto, a exemplo desta ilustre engenheira, o mercado de trabalho é seletivo, ou, em outras palavras, segregacionista. Veja como ela tinha de se impor aos funcionários da usina em que ela desempenhou sua profissão. Abraços.

  • Muito Bom compartilhar. Viva o Protagonismo negro. Linda história.

  • O que eu acho interessante… é a preocupação , em dizer que é uma negra. Como se as pessoas negras , não fossem capazes de ingressarem numa faculdade… como uma obra do acaso…
    Todo ser humano é capaz de alcançar status.
    A côr da pele não é tão importante… e sim , a capacidade de se superar os desafios.

  • Muito bom! Feliz em saber que as nunca foram submissas!

  • Muito bom saber que as mulheres nunca foram submissas! Belo artigo!

  • Fiquei super feliz em conhecer a história dela! Parabéns pelo reconhecimento!

  • Um verdadeira heroína, guerreira! Um exemplo de determinação e superação. Merece todo reconhecimento. Pena que não deixou descendentes.
    Parabéns, Enedina Marques.👏👏👏

  • ESSA FOI GUERREIRA, ENFRENTOU OS L8MTES DO TEMPO, APROVEITOU A OPORTUNIDADE DE ESTUDO QUE FOI OFERECIDO.
    INTELIGENTE, COM CERTEZA FOI UMA EXCELENTE PROFISSIONAL.

  • Bela história , ótimo exemplo!!

  • Show de luta! Sem militância nem envolvimento político
    Teve suas forças e direcionamento para profissionalismo….

  • História linda…

  • Maravilhoso este artigo principalmente que trata se de uma mulher que não desistiu dos seus sonhos
    Uma expiração total

  • E sempre um prazer conhecer um colega de capacidade reconhecida e respeitada. E de gente assim que precisamos na profissao e no Pais, com ajuda para quem tem condicao, de modo a que aflore a capacidade e nao a assistencia social!

  • Parabéns a Enedina Alves Marques cujo espírito de Luz continua a iluminar outras mulheres.

  • Nunca é fácil pra ninguém, conquistar o seu espaço na sociedade.Ela lutou e conseguiu.É exemplo pra os novos profissionais da Engenharia do Brasil.

  • Enedina viveu pouco.Apenas 68 anos. De qualquer modo deixou seu legado na história do Brasil. Viva Enedina!!!

  • Bela história de vida!
    Que seja espelho para outras pessoas, inclusive homens.

  • Bela historia, mulher guerreira, espelho para muitos.

  • Muito bom esse artigo legal uma legal negra se forma como a primeira mulher negra a ser engenheira ela é 10

  • Muito bom esse artigo legal uma legal negra se forma como a primeira mulher negra a ser engenheira ela é 10

  • Maravilhosa essa história dessa mulher forte e determinada em vencer vários preconceito na sua época. Muito legal

  • Maravilhosa essa história dessa mulher forte e determinada em vencer vários preconceito na sua época. Muito legal que bonito a sua história

  • Maravilhosa essa história dessa mulher forte e determinada em vencer vários preconceito